Pesquisa preliminar mostra que a água gaseificada sem açúcar provoca uma queda temporária no pH da saliva, enquanto o refrigerante mantém o ambiente bucal mais ácido por mais tempo.
Água com gás costuma aparecer na lista de bebidas que geram dúvidas quando o assunto é saúde bucal. Afinal, a carbonatação torna a bebida ligeiramente ácida. Mas um novo estudo preliminar sugere que a água gaseificada sem açúcar provoca uma alteração muito menor e mais passageira na acidez da boca do que os refrigerantes.
A pesquisa avaliou 20 adultos que consumiram quatro bebidas diferentes: água comum, água com gás sem cálcio, água com gás enriquecida com cálcio e refrigerante adoçado. Os pesquisadores acompanharam o pH da saliva em diferentes momentos após o consumo.
Refrigerante teve efeito muito mais intenso
Entre as bebidas analisadas, o refrigerante provocou a maior queda na acidez salivar. O pH permaneceu significativamente mais baixo do que após o consumo de água comum tanto dois quanto 20 minutos depois da ingestão.
Já a água com gás sem açúcar também provocou uma redução do pH, mas o efeito foi temporário. Após cerca de 20 minutos, a saliva havia retornado para valores próximos aos observados antes do consumo.
A versão da água gaseificada enriquecida com cálcio apresentou comportamento semelhante, embora a queda do pH tenha sido observada em outro momento do acompanhamento.
Isso acontece porque o dióxido de carbono dissolvido na água forma ácido carbônico, tornando a bebida mais ácida do que a água sem gás. A diferença é que a água gaseificada simples não apresenta necessariamente a combinação de açúcar e outros ácidos encontrados em muitos refrigerantes.
Isso significa que água com gás não prejudica os dentes?
Não exatamente.
O estudo mostra que a água gaseificada pode alterar temporariamente o ambiente da boca, mas não avaliou diretamente a perda de minerais ou a erosão do esmalte. Os próprios pesquisadores destacam que o trabalho foi pequeno e analisou apenas mudanças de curto prazo no pH salivar.
Por isso, não é possível afirmar, com base nesse estudo isoladamente, que a água com gás seja incapaz de provocar desgaste dental.
Pesquisas anteriores já mostraram que bebidas gaseificadas podem apresentar potencial erosivo, especialmente quando recebem aromatizantes e ácidos adicionais.
O problema pode estar mais no que é adicionado à água
Para a saúde bucal, existe uma diferença importante entre uma água simplesmente gaseificada e uma bebida gaseificada com sabor.
A água com gás pura contém principalmente água e dióxido de carbono. Já versões saborizadas podem receber ingredientes como ácido cítrico, que reduzem ainda mais o pH e podem aumentar o potencial de erosão do esmalte.
Nem toda bebida com gás é igual: uma água gaseificada simples pode ter um perfil bastante diferente de uma bebida saborizada, ácida ou açucarada.
Por isso, trocar um refrigerante açucarado por água com gás sem açúcar pode representar uma escolha mais favorável para os dentes.
Frequência também importa
Não é apenas o tipo de bebida que determina o risco de erosão dental. A frequência de exposição aos ácidos e o tempo que eles permanecem em contato com os dentes também são importantes.
Consumir uma bebida ácida repetidamente ao longo do dia mantém o ambiente bucal sob exposição mais frequente. Por isso, para quem costuma beber água com gás — especialmente versões saborizadas — uma estratégia simples é evitar ficar tomando pequenos goles continuamente durante várias horas.
Também é importante manter uma higiene bucal adequada, utilizar creme dental fluoretado e priorizar a água comum como principal fonte de hidratação.
Água com gás ou refrigerante?
Os resultados preliminares apontam para uma resposta relativamente clara: a água com gás sem açúcar não provoca a mesma alteração prolongada de pH observada com os refrigerantes.
Isso não significa que toda bebida gaseificada seja igual, nem que a carbonatação seja completamente neutra para o esmalte. Mas, para quem procura uma alternativa ao refrigerante, a água com gás simples parece apresentar um perfil muito mais favorável.
O principal cuidado deve estar nas versões saborizadas e na frequência de consumo. E, por enquanto, a ciência ainda precisa de estudos maiores e que avaliem diretamente o esmalte para determinar o impacto clínico da água gaseificada a longo prazo.
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