Todos os anos, durante o CIOSP, uma cena se repete: corredores cheios, estandes disputados e filas longas para receber brindes. Junto com isso, surge também um debate recorrente, principalmente nas redes sociais: é errado um dentista ir a um congresso para pegar brindes?
A pergunta, embora pareça simples, revela uma discussão muito mais profunda. Ela toca diretamente em temas como geração, memória e empatia dentro da própria odontologia, convidando à reflexão sobre diferentes momentos de carreira, expectativas e vivências que coexistem no mesmo evento.
Para muitos profissionais mais experientes, o congresso representa atualização científica, networking estratégico e decisões de negócio. Sob esse olhar, a ideia de perder tempo em filas pode parecer banal ou até inadequada. A crítica, em parte, faz sentido. O CIOSP é um dos maiores congressos de odontologia do mundo, com palestras de altíssimo nível, lançamentos tecnológicos importantes e oportunidades que realmente podem mudar uma carreira.
Existe um outro lado dessa história que muitas vezes é ignorado. Grande parte das pessoas que estão nessas filas são estudantes ou recém-formados. Jovens entre 18 e 22 anos que estão, muitas vezes, vivendo o primeiro grande congresso da vida. Para eles, o CIOSP não é apenas um evento científico. É um impacto. É a primeira vez que enxergam o tamanho real da odontologia, a diversidade de caminhos possíveis, a dimensão que a profissão pode alcançar.
O brinde, nesse contexto, quase nunca é sobre o objeto em si. É sobre a experiência. É sair do pavilhão com uma sacola cheia, cansado, empolgado, sentindo que faz parte de algo maior. É lúdico. É simbólico. É memórias sendo criadas.
Quem hoje crítica, em muitos casos, já esteve exatamente no mesmo lugar. Já entrou pela primeira vez em um congresso com os olhos brilhando, já achou incrível ver equipamentos, marcas, pessoas e possibilidades que antes só existiam nos livros ou nas telas. A diferença é que o tempo passou e a relação com
o evento mudou. O que não deveria mudar é a capacidade de lembrar como tudo começou.
Não se trata de dizer que filas são mais importantes do que palestras. Não são, nunca foram. O conhecimento técnico é essencial e insubstituível, mas a formação de um profissional não acontece apenas no conteúdo científico. Ela também acontece no encantamento, na identificação com a profissão e no sentimento de pertencimento.
O problema não está em um estudante pegar um brinde, mas em esquecer que todos nós já fomos iniciantes e que a odontologia também se constrói a partir de estímulos, inspiração e experiências que marcam o início da jornada
Quando esse momento é criticado, acaba-se, de certa forma, desvalorizando o próprio passado e ignorando o caminho que nos trouxe até aqui.
Talvez a pergunta correta não seja se é errado pegar brindes no CIOSP. Talvez a reflexão deva ser outra: em que momento alguns profissionais se esqueceram da magia de descobrir a odontologia pela primeira vez?
Respeitar quem está começando é fortalecer o futuro da profissão. E isso, sim, deveria ser consenso.
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