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Destaques,Curiosidades

Antidepressivos e Seus Efeitos Colaterais na Saúde Bucal

  • noviembre 21, 2025
O uso de antidepressivos cresce de forma constante no Brasil e isso tem impacto direto no consultório odontológico. Um estudo recente conduzido pelo King’s College London em parceria com a Universidade de Oxford, divulgado pelo RDH Magazine, analisou mais de 58 mil pacientes e comparou trinta tipos de antidepressivos nas primeiras semanas de tratamento. Os pesquisadores observaram que cada medicamento apresenta um conjunto distinto de efeitos adversos, muitos deles identificáveis pelo cirurgião-dentista antes mesmo que o paciente perceba.
 
A boca seca apareceu como um dos efeitos mais comuns, consequência da diminuição do fluxo salivar induzida por determinadas classes farmacológicas. Essa alteração contribui para maior risco de cáries, halitose, inflamações gengivais e desconforto bucal, especialmente em indivíduos que já apresentam predisposição. Outro achado frequente foi o bruxismo induzido por medicação, que pode surgir mesmo em pacientes sem histórico prévio e resultar em desgaste dentário, dor muscular e comprometimento da articulação temporomandibular. Sensibilidade dentária, inflamações gengivais e mudanças periodontais também foram relatadas em várias publicações analisadas.
 
Essas manifestações surgem especialmente nas primeiras oito semanas de tratamento — período em que o paciente, muitas vezes, ainda está se adaptando ao medicamento e não costuma relacionar sintomas bucais à terapia antidepressiva. Assim, o dentista frequentemente se torna o primeiro profissional capaz de identificar essas alterações.
 
No contexto brasileiro, onde muitos pacientes convivem com fatores de risco como consumo elevado de açúcar, tabagismo e higiene bucal irregular, qualquer interferência na salivação ou no ritmo muscular da mastigação pode acelerar drasticamente a progressão de doenças bucais. Reconhecer precocemente essas mudanças e ajustar a conduta preventiva, seja por meio de controle de placa mais rigoroso, aplicação tópica de fluoretos, orientação específica ou uso de dispositivos de proteção oclusal, torna-se fundamental para evitar complicações.
 
O estudo também ressaltou que, embora os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, amplamente utilizados no Brasil, apresentem menor incidência de efeitos físicos adversos do que outras classes, eles ainda podem provocar alterações significativas, como variações na pressão arterial, frequência cardíaca e peso corporal. Esses fatores têm impacto direto em procedimentos odontológicos, especialmente aqueles que envolvem anestésicos, sangramento ou maior complexidade cirúrgica.
 
O autor sênior da pesquisa, Dr. Toby Pillinger, destacou ao King’s College News Centre que a intenção não é questionar o uso de antidepressivos, mas oferecer conhecimento suficiente para que médicos e pacientes possam tomar decisões mais personalizadas. Para a Odontologia, isso significa integrar informações médicas ao planejamento clínico e estar atento às manifestações bucais que podem indicar efeitos colaterais importantes.
 
Com a crescente prescrição de antidepressivos no Brasil, essa discussão se torna essencial. Dentistas devem considerar que muitos pacientes não relatam espontaneamente essas medicações, seja por esquecimento, vergonha ou falta de entendimento sobre sua relevância odontológica. Uma anamnese sensível, detalhada e atualizada é, portanto, indispensável para garantir um atendimento seguro e completo.
 

Referências

  1. Kaiser, M. Different antidepressants, different side effects: What dental professionals should know. RDH Magazine, 2025. Disponível em: https://www.rdhmag.com/patient-care/article/55327161/different-antidepressants-different-side-effects-what-dental-professionals-should-know
  2. Dahm, T. Antidepressant medications and oral health. RDH Magazine, 2025. Disponível em: https://www.rdhmag.com/patient-care/article/55290317/antidepressant-medications-and-oral-health
  3. Costa, E., et al. Oral Manifestations in Patients in Treatment with Antidepressants: A Systematic Review. Journal of Clinical Medicine, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/2077-0383/13/22/6945

 

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